Um dia acontece. Pode ser com qualquer um.
Estão lá, são muitos, os sinais. Você sabe, algo lhe diz que não pode ser. Mas há tantas vozes, tão confusas. Há tanto burburinho, em línguas diferentes, de todas as posições, entonações, volumes.
Lá no meio dessas vozes, está lá sua prudência. Está lá o passado. Estão a carência, o amor, o medo. Entre as vozes suaves ou roucas, murmúrios e gritos... Está lá também o orgulho. Esse, sempre se faz ouvir. Num sussurro, ele pergunta: você vai desistir agora? Vai baixar a guarda, mostrar sua fraqueza?
E você diz: não. Mas entre tantas vozes, não há quem o escute.
terça-feira, maio 08, 2012
segunda-feira, novembro 29, 2010
Soneto da transfiguração
Assim minh'alma aqui se queda seca
desfez-se em bruma todo meu passado
e no sorriso aberto está fechado
o cofre de uma solidão secreta
Em minha mente, um vasto e vil deserto
com cem fantasmas de sucesso e sexo
da minha pele o frio se faz reflexo
dum sentimento que não chega ao corpo
Então faço sentir a morte ao corpo
pra ver se se preenche em outro mundo
essa ausência de riso e de pranto
Se já não posso substituir mais nada
hei de buscar o silêncio profundo
de minha alma em sua madrugada
Assim minh'alma aqui se queda seca
desfez-se em bruma todo meu passado
e no sorriso aberto está fechado
o cofre de uma solidão secreta
Em minha mente, um vasto e vil deserto
com cem fantasmas de sucesso e sexo
da minha pele o frio se faz reflexo
dum sentimento que não chega ao corpo
Então faço sentir a morte ao corpo
pra ver se se preenche em outro mundo
essa ausência de riso e de pranto
Se já não posso substituir mais nada
hei de buscar o silêncio profundo
de minha alma em sua madrugada
segunda-feira, outubro 25, 2010
segunda-feira, outubro 04, 2010
O Som me assombra.
Notas dissonantes, agudas, que estão mesmo quando se perdem na distância,
flautins, taróis, violinos se põe uns sobre os outros, num estado de caos.
O Som se acomoda no ar, quase sem densidade
insípido, inodoro, cheio de cor.
O Som entra no corpo com a respiração, começa a correr junto com o sangue
e depois não tem por onde fugir.
Por isso que eu sou esse saco de Sons inaudíveis.
Notas dissonantes, agudas, que estão mesmo quando se perdem na distância,
flautins, taróis, violinos se põe uns sobre os outros, num estado de caos.
O Som se acomoda no ar, quase sem densidade
insípido, inodoro, cheio de cor.
O Som entra no corpo com a respiração, começa a correr junto com o sangue
e depois não tem por onde fugir.
Por isso que eu sou esse saco de Sons inaudíveis.
terça-feira, janeiro 12, 2010
eu deveria achar ótima essa sua filosofia de botequim
mas confesso que tô cada vez mais de saco cheio
de um papo tão inteligente assim
se a vida é movida pelo poder do meu pensamento
então talvez eu só pense merda mesmo
talvez eu não saiba pensar
então vou ali me enforcar enquanto é tempo
já que a vida é curta e bla bla bla
eu realmente queria conseguir acreditar
viva em função só de seu próprio prazer
trabalhe que nem uma mula pra ganhar dinheiro
ganhe dinheiro pra se drogar e se foder
e ria dos imbecis que riem de ti o tempo inteiro
se só querem trepar com você, isso já é surpreendente
pense bem se você se ligaria no dia seguinte
mas confesso que tô cada vez mais de saco cheio
de um papo tão inteligente assim
se a vida é movida pelo poder do meu pensamento
então talvez eu só pense merda mesmo
talvez eu não saiba pensar
então vou ali me enforcar enquanto é tempo
já que a vida é curta e bla bla bla
eu realmente queria conseguir acreditar
viva em função só de seu próprio prazer
trabalhe que nem uma mula pra ganhar dinheiro
ganhe dinheiro pra se drogar e se foder
e ria dos imbecis que riem de ti o tempo inteiro
se só querem trepar com você, isso já é surpreendente
pense bem se você se ligaria no dia seguinte
terça-feira, julho 22, 2008
segunda-feira, julho 14, 2008
segunda-feira, julho 07, 2008
havia danças, para não sentir o sangue
havia gritos, para não ouvir a dor
para não ouvir as vozes que chamavam
que me mandavam para o abismo
essas noites de desespero já parecem tão distantes;
noites em que mesmo as palavras
geralmente amigáveis a mim
agiam como coelhos ariscos, fugidios
mas enquanto isso a dor ainda está lá
uma dor que vem do útero e se espalha pelo peito pelos braços pelas mãos até que
se dissolve no ar
colorindo as paredes e os móveis
fazendo soar cada nota
a raiva que não tem ação, vira cor.
assim declaro reinaugurada essa pocilga !
havia gritos, para não ouvir a dor
para não ouvir as vozes que chamavam
que me mandavam para o abismo
essas noites de desespero já parecem tão distantes;
noites em que mesmo as palavras
geralmente amigáveis a mim
agiam como coelhos ariscos, fugidios
mas enquanto isso a dor ainda está lá
uma dor que vem do útero e se espalha pelo peito pelos braços pelas mãos até que
se dissolve no ar
colorindo as paredes e os móveis
fazendo soar cada nota
a raiva que não tem ação, vira cor.
assim declaro reinaugurada essa pocilga !
terça-feira, fevereiro 19, 2008
Te quiero
No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.
Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.
Tal vez consumirá la luz de enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.
En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor,
a sangre y fuego.
(Pablo Neruda)
No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.
Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.
Tal vez consumirá la luz de enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.
En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor,
a sangre y fuego.
(Pablo Neruda)
terça-feira, novembro 13, 2007
Bom Conselho
Composição: Chico Buarque
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
Composição: Chico Buarque
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
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