marina saiu.
botou seus velhos jeans e o baixou na cabeça o capuz do casaco surrado
calçou seus velhos tênis e saiu a gastá-los novamente pelas ruas da cidade,
sem destino senão levar seus olhos de fundas olheiras a passear pelas mesas da calçada
e suas narinas, enterradas no capuz, a sentir finalmente o frescor da noite...
abraçada no violão, não conseguia prever como a noite acabaria.
num canto vazio, solitariamente iluminado,
ela senta sem ligar a mofo da parede
e dedilha qualquer melodia...
antes que possa entrar em seu sonho, o mais profundo dos sonos,
encontra à vista as pernas enfiadas em calças que nunca antes via;
e quando levanta os olhos, não bem descobre a quem pertencem os joelhos em frente aos seus olhos.
são mais algumas borboletas atraídas pelo seu pólen,
leves, voláteis
tão incrivelmente joviais e coloridas,
tão igualmente próximas de se tornarem cinzas...
até que, enterrada no seu capuz,
ela começa a sentir o gosto do seu sonho, que lentamente sobe pela garganta.
e na última vez que passa seus olhos de fundas olheiras pelas pessoas,
aquelas pessoas que, sem borrões ou luzes, não conhecia
entende que, afinal, ninguém poderia ter reparado...
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