sábado, novembro 26, 2005

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Andar naquela chuva fria, molhar a roupa e o cabelo, não significavam nada.
As gotas, que se misturavam às lágrimas, faziam com que eu me sentisse chicoteada por algum deus sádico, rindo da desgraça de sua criação em algum trono confortável em meio às nuvens... A consiciência da traição era tão física, que podia sentir a dor rasgando meus pulmões, partindo minhas costelas e transbordando por meus poros. Sabia que não iria chorar - afinal, mal podia respirar - mas não havia nada no mundo que quisesse mais.
Ser traída, esquecida, não era o problema. Até por que, no final das contas, eu já estava acostumada.
O que doía, mesmo, era ver todos aqueles planos e expectativas frustrados.
Pensei que convivia com anjos, que me respeitariam e amariam de toda forma. Pensei que poderia ter sempre alguém com quem contar... Cheguei até a pensar que haveria alguém, em alguma parte, que sentiria sempre a minha falta...
Não importava mais. Estava decidida a, a partir de agora, não sentir mais nada - não os odiaria, nem sentiria pena, e me esforçaria ao máximo para não amá-los.
Com todas as forças que sabia que seriam necessárias.

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